terça-feira, 28 de maio de 2013

Você é o que você é ... ponto final.

"Joaquim não é João. Como diria minha mãe: você não é todo mundo, meu filho. Estou começando a concordar com ela. Eu não sou todo mundo, sou mais eu, mais mim, mais mais ninguém. Quando criança achava que se Maria fazia algo, eu também podia fazer e minha mãe vinha sempre com aquela velha e clássica frase: “Se ela pular do penhasco, você pula?”. Sim, mãe, eu pulo, ou pelo menos pulava, naquela época, era Maria-vai-com-as-outras da Maria. Mas hoje não. Hoje tenho colocado os pingos nos “is” e os pontos finais nos fins dos textos. Assim como Joaquim não é João, eu não sou todo mundo. Fujo e me escondo da realidade, das memórias, das pessoas. Autonomia. Palavra complicada de aprender e, principalmente, de realizar. Oras, tudo é difícil, tudo é chove não molha, mas eu quero é me molhar, me lançar na chuva e me encharcar com essas ideologias. Autonomias. Independências. Mortes. Chocolates. Que frivolidade! Por que tudo é tão difícil, ou melhor: Por que tudo é tão vida? Ela nos enterra, cospe na nossa cara, ri com aqueles dentes amarelados e ainda pergunta: “Cadê toda aquela sua autonomia?”. Com minhas forças findadas, pelo enterro feito por minha própria vida, eu respondo: “A vida levou de mim."


-Filipe, Anarquismos. 

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